sexta-feira, 26 de novembro de 2010

AVALIAÇÃO PROCESSUAL

UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS
ARTES VISUAIS - LICENCIATURA
ESTÁGIO SUPERVISIONADO III  
Ivi Joyce Rodrigues


 

AVALIAÇÃO PROCESSUAL

Pólo de Uruana
Novembro de 2010
Percurso "estranhamento do familiar"
O percurso, além dos muros da escola tomando a cidade como referência para a elaboração de projetos de ação educativa investigando seus lugares, seus habitantes, seus ofícios, sua cultura com intuito de estranhar o familiar, torna o ver de novo, uma consciência de uma curiosidade indagadora. Em que o caminhar condicionou a visualizarmos novas formas de pensarmos o ensino de arte, descobrindo coisas no mesmo lugar, que julgamos já conhecer, valorizando a arte e cultura local para que o olhar se renove.
Assim, eu julgava conhecer o local (Rádio Vale FM), e ao estranhar o que me parecia familiar, fui desenvolvendo um olhar investigativo e indagador. Logo o espaço que eu ignorava em meu cotidiano, passa a ser composto por múltiplas dinâmicas para arte-educação.
Durante o meu caminhar fui descobrindo pessoas como o Sr. Miguel artesão de carros de boi, uma Panificadora que ao experimentar de sua panificação torna-se o pão preferido da família, enfim, este percurso trouxe-me reflexões importantes para renovar o meu olhar.
Escolha da porta de entrada
Vários ajustes a rota para a Porta de Entrada foram sendo pré-estabelecidos, caso o primeiro plano de etnografia não desse certo. As opções de trajeto eram: Rádio Vale FM, a sorveteria K-Sabor, Lan House X-Game, Panificadora Doce Mel e a Prefeitura de Municipal de Rubiataba.
Optando pela Rádio Vale FM, começo a enxergar o local de um modo diferente, em uma experiência de capacitar o meu aprendizado visual.
Levo a Carta de Apresentação, onde fui bem recebida e acolhem a proposta de Intervenção Artística Pedagógico.
Etnografia da porta de entrada  
Rádio Vale FM - 92,5 de freqüência, situada a Praça das Oliveiras, nº 235, setor Bela Vista na cidade de Rubiataba. A emissora atinge a região Vale do São Patrício, em média 60 cidades com informações, evangelização e músicas.
Elaboração da proposta de intervenção
            A elaboração da proposta foi o ponto crucial no processo do estagio. Varias idéias se estabelecendo em prol de uma intervenção que despertasse novos olhares, no desafio de colocar os espaços formais (escola) e os espaços informais (Rádio) como locais de interconexão em favor de uma ação artística pedagógica. Durante a elaboração, diversos ajustes para a criação de uma proposta que levasse a consonância ao atendimento do esperado em atingir.  
            Foi à etapa que senti maior dificuldade em realizar, construir um projeto requer muita atenção e cuidados para sua redação, dediquei o máximo de tempo possível, no intuito de elaborar um projeto competente.
            O acompanhamento da professora Ângela Maria foi fundamental, com suas dicas fui aprendendo a redigir e organizar minha proposta dentro das sensibilidades de uma poética artística visual.  
Realização da proposta (aplicação)
Como na realização da proposta de Fayga Ostrower              “Universo da Arte” com um grupo de funcionários da Encadernadora Primor S/A, em que o medo e a insegurança lhe trouxe relutância na aplicação, também tive estes receios. Mas a sensibilidade em aplicar uma proposta que leve a compreensão do teórico com o prático, fui desenvolvendo uma segurança baseada nos processos transformadores em que o objetivo principal é a aprendizagem critica, perceptiva e reflexiva da cidade como palco de ações educativas.    
A aplicação com Painel de Discussões deliberando as informações da vida de Hélio Oiticica, artista com forte caráter experimental e coletivo com a cidade, trouxe aos participantes da intervenção a oportunidade de experimentarem a atividade como coadjuvantes criativos da proposta.
Fizemos uma roda, e explicitei a biografia do artista Hélio Oiticica em que surgem perguntas, vários diálogos foram se desenvolvendo e enriquecendo o momento, neste ponto, já nem lembrava mais de meus medos.  Em seguida iniciamos a construção dos Parangolés e não houve nenhuma resistência dos adolescentes em participarem do trabalho, alguns funcionários passavam pelo local e com jeito acanhados iam estranhando à ação.

Dificuldades Encontradas

Felizmente, o programado para ação foi realizado. Mas, no meu planejamento imaginei a duração da intervenção em aproximadamente quatro horas, como o assunto era instigador houve uma demora no Painel de Discussões e pouco tempo para a realização dos Parangolés. 
Atentei que na prática requer mais tempo e dedicação, mesmo assim foi possível realizar um trabalho compensativo.
Desdobramentos
Durante a intervenção foi possível perceber habilidades, acuidades, criatividades e o mais importante determinação. Com a intervenção, compreendi que a pratica é fundamental, é praticando que sensibilizamos o aprendizado, com a experiência estética da ação temos o método como meio integrador. Levando a impulsionar ações indagativas e reflexões, pois ao longo da proposta, fui questionada a todo o momento o que é belo? O que faz uma obra ser considerada importante? Perguntas que enriquecem o momento favorecendo as re-significações.
Avaliação
            O medo e a insegurança como aliados trouxe-me uma avaliação compensativa, pois, a fomentação do imagético promoveu a perspectiva de vivenciar a ação de maneira consolidada numa relação dialógica. Em que o critério, foi da compreensão da arte como linguagem necessária para nossa vida.
            Minha imensa alegria é encontrar o grupo de adolescente, os principais co-autores da intervenção e ouvir: “Haverá outra oportunidade para mais uma realização semelhante ao que experimentamos?”. Esta sensação é a concretização que mudanças podem ser realizadas e valorizadas podem transformar.
Registro   
O registro foi com imagens fotográficas, e todas as imagens foram previamente autorizadas pelos mesmos.

 Conexões
            A principal conexão foi com o artista Hélio Oiticica que faz a diluição do suporte artístico enquanto tal (a tela) que permite trabalhar o corpo da cidade através da descoberta e da reconstituição dos seus elementos físicos e imagéticos. 
            O grupo de adolescentes ficou fascinado com a biografia do artista, e compreenderam de maneira lógica a proposta da intervenção. Visualizaram que o espaço da Rádio Vale FM também pode ser um campo                                                                                 de ações artísticas, pois, no espaço que estávamos é um ótimo local para exposições, encontros e oficinas pedagógicas desmistificando que apenas dentro das salas de aula ocorre o aprendizado.
            A ação além dos muros das escolas proporcionou um momento de crescimento de sensibilidade favorecendo aproximação dos estudantes não apenas para aquisição de conhecimentos, mas na preparação para a vida.
Conclusões
            “... se perdemos a ilusão, é para revitalizar nossos sonhos, desenvolvendo condições e nos instrumentalizando para sonhos mais reais.”
Madalena Freire
            A ilusão do estagio III esta em processo final. E esta finalização esta consolidada com instrumentos de conceitos revitalizadores como futura arte educadora. Considerando todos os processos inerentes para nossa formação acadêmica, em que cada passo dado foi decisivo para a realização de uma intervenção coerente para uma maior compreensão da arte em uma analise critica do sistema de produção e dos valores nela refletidos.
Bibliografia
 Módulo 7 – Licenciatura em artes visuais, Estagio Supervisionado III –. Questões Multiculturais.   




quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Parangóles!!!

UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS
FACULDADE DE ARTES VISUAIS
EAD-FAV PÓLO DE URUANA
ATELIÊS INTEGRADOS, ESTÁGIO SUPERVISIONADO
 III E QUESTÕES MULTICULTURAIS
ÂNGELA MARIA DA SILVEIRA LIMA
VINÍCIUS LEONARDO OLIVEIRA SILVA

 

PARANGOLÉS

Metáfora do Corpo Livre


IVI JOYCE RODRIGUES 


  


Projeto de Estagio III para uma proposta de ação artística pedagógica, em Artes Visuais, a partir de minha etnografia “Porta de Entrada”, a Rádio Vale FM da cidade de Rubiataba.


      


       SUMÁRIO



1- INTRODUÇÃO ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­
2- OBJETIVOS

3 - JUSTIFICATIVA 

4- METODOLOGIA
5- CRONOGRAMA
6 – AVALIAÇÃO
7- BIBLIOGRAFIA

 1-INTRODUÇÃO              
      O rádio e suas dimensões dão vozes para idéias, ações e questionamentos. Este meio de comunicação possibilita suscitar temas já esquecidos, e trazê-los à tona em forma de discussões deliberadas por uma comunicação abrangente de informação aos acontecimentos do passado ou do presente.
      Assim, a rádio Vale FM como minha Porta de Entrada, irá ser o espaço para uma ação artístico pedagógica, parceria em prol de um “Painel de Discussões” sobre a vida do artista Hélio Oiticica, destacando seus “Parangolés”.
Hélio Oiticica, um dos mais importantes artistas brasileiros, com seus “Parangolés” cria a metáfora do corpo livre, corrigindo a exclusão fruto da desigualdade sócio - econômica e da censura gerada pela violência da repressão militar à oposição política.
Este “Painel de Discussões” estenderá a um grupo de adolescentes da cidade de Rubiataba, que são alunos da Escola Estadual Raimundo Santana Amaral do 2° Ano do Matutino.

2- OBJETIVOS             
 O objetivo geral é a interconexão entre escola (espaço formal), Emissora de Rádio (espaço informal) no desafio de despertar novos olhares.
E o objetivo específico, é levar os adolescentes a experimentarem o “Parangolés”.
Uma vez que, Hélio Oiticica mudou a maneira de expressar a obra de arte, passando a abranger o sensorial em que o espectador se torna participador, a escola também pode ir além de seus muros.

3- JUSTIFICATIVA               
A idéia de cidade aparece na obra de Hélio Oiticica com a característica de um ser pulsar orgânico, vivo. Seu processo criativo não se desenvolvia dentro das galerias e museus desenvolviam-se nas favelas, nos terrenos baldios, nas caminhadas noturnas, na Escola de Samba da Mangueira e dentro dos canteiros de obras públicas.
            No espaço de intervenção “Porta de Entrada”, percebi que o local “Rádio Vale FM” é também um centro educativo, desmistificando o conceito de que o ensino de arte possui padrões metódicos e direcionados, que ocorre somente nas salas de aulas, do mesmo modo que Hélio Oiticica faz a diluição do suporte artístico enquanto tal (a tela) permitiu ao artista trabalhar o corpo da cidade através da descoberta e da reconstituição dos seus elementos físicos e imagéticos. 
Fazendo com que os meus fortes pretextos para a intervenção pedagógica seja o Rádio como um benefício social para sociedade, uma forte ligação que a cidade tem com seus habitantes, e o artista Hélio Oiticica de caráter experimental e coletivo com a cidade.

         4- METODOLOGIA                 
         O “Painel de Discussões” sobre o artista Hélio Oiticica, será deliberado a partir de sua biografia, e a ênfase será no experimento do “Parangolés”. Referir que o trabalho de Oiticica constrói a idéia do corpo em liberdade espaço-temporal, aberto a novas experimentações, e com base neste conceito irei propor ao grupo de adolescentes que experimentem os “Parangolés”.
O intuito é lançar informações referentes ao artista com a sua maneira que rompiam com a idéia de contemplação estática da tela e ao mesmo tempo levá-los a experimentarem o “Parangolés”.
 A ação da experimentação consistirá na criação de capas coloridas.
 As capas serão confeccionadas com colagem de frases, palavras ou desenhos que expressem poeticamente o que conheceram através do “Painel de Discussões” sobre os ideais de Hélio Oiticica, envolvendo sua perspectiva da cidade conectando com a “Porta de Entrada” Rádio Vale FM.
Os materiais: tecido TNT, cola, tesoura, revistas e jornais. A intervenção será documentada com o registro de imagens fotográficas e vídeos.
Logo após serão convidados a experimentarem o que criaram.
Os “Parangolés” só ganhavam vida se vestido por alguém e não só isso, o “Parangolé” também precisava ser dançado. “A obra só existe plenamente, portanto, quando da participação corporal: a estrutura depende da ação.” Diz o próprio Helio Oiticica que o objetivo do “Parangolé” ser pensado para ser usado/dançado era “dar ao público a chance de deixar de ser público espectador, de fora, para ser participante na atividade criadora.
5- CRONOGRAMA  
         1ª Fase: Nos dias 16 de outubro a 1 de novembro de 2010, pesquisa e elaboração do projeto de intervenção.
         2ª Fase: No dia 4 de novembro, visita a Radio Vale FM “Porta de Entrada” para explicitar o projeto de intervenção pedagógica. Duração aproximadamente 1h.
3ª Fase: No dia 5 de novembro, convite ao grupo de adolescentes a respeito da “Ação Pedagógica”. Duração aproximada de 40min.
4ª Fase: No dia 9 de novembro intenção da aplicação da intervenção pedagógica. A duração da intervenção, prevista para acontecer com uma duração de aproximadamente 4 h.
           
6-AVALIAÇÃO   
            Embasado no experimentar os “Parangolés”, os adolescentes poderão realizar interpretações constituídas de análises, através de diálogos que os despertem a visualizarem a Arte-Educação de um modo auto-reflexivo dos espaços das cidades. Em que a interconexão entre escola (espaço formal), Emissora de Rádio (espaço informal) constituirá um papel fundamental na formação de cidadãos críticos.
            Colo-me nesta etapa do estagio III, no anseio de atingir o cumprimento de uma ação pedagógica com dimensão educativa, em que a proposta da intervenção possa contribuir em prol de um desafio de pensar a cidade como um espaço educativo.
 
7-BIBLIOGRAFIA 

Livros:

BASUALDO, Carlos. Tropicália. Uma Revolução na Cultura Brasileira. SP: Cosac Naif, 2007.
Artigos:

SANTOS, Rita de Cássia Donato dos. Quando a Canção Voltar. A música popular e os artistas do Grande ABC divulgados pelas rádios locais da década de 50. São Cateano do Sul. 2005.

MARQUEZ, Renata Moreira. Hélio Oiticica: Desdobramento do Corpo no Espaço. Artigo publicado na revista Vivencia. v. 33. 2009. p. 67-75


Material da Internet:

http://www2.uol.com.br/antoniocicero/parangole.html, acesso no dia: 1 de novembro de 2010.